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GASTRONOMIA |
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“Ao mar vão-se buscar os famosos carapaus alimados, o arroz de polvo e os choquinhos com tinta.”
Cidade virada para o mar, há séculos que Lagos lá vai buscar o peixe com que criou as famosas iguarias da região. O carapau alimado, a moreia frita, o polvo assado na brasa, a feijoada de búzios, a caldeirada na cataplana ou os choquinhos com tinta são alguns dos petiscos que se preparam com mestria em qualquer restaurante da cidade. E no Verão dá gosto ver as esplanadas cheias de turistas a saborear um bom peixe assado na brasa, acabadinho de chegar do mar.
Mas o património gastronómico de Lagos é muito vasto e nele cabem também alguns pratos de cariz rural. A destacar, a galinha de cabidela com batatas, o cozido de grão com arroz e as famosas papas moiras, papas de milho confeccionadas com enchidos e carnes de porco. Aliás, em Lagos, papas fazem-se com quase tudo o que houver à mão, seja carne, peixe ou marisco.
Nos doces, a amêndoa e o figo, famosos em todo o Algarve, são moldados com primor e criatividade pelas doceiras de Lagos. Das suas mãos saem autênticas obras de arte como os morgados, os beijinhos de amêndoa, os arrepiados, os D. Rodrigo e, claro, os famosos doces finos, miniaturas perfeitas de frutos, flores ou animais.
Estas pequenas maravilhas dão um colorido muito especial às pastelarias do centro da cidade e, anualmente, na Feira Concurso Arte Doce, aproveita-se para adoçar a boca ao mesmo tempo que se comemora esta importante tradição secular algarvia.
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Carapaus
Alimados
1 kg de carapaus
4 dentes de alho
Azeite
Sal grosso q.b. |
Retire
as tripas e a cabeça dos carapaus, lave e coloque
num recipiente com furos. De seguida salpique com bastante
sal grosso. No dia seguinte, sacuda o excesso de sal e
leve-os ao lume num tacho com água a ferver. Deixe
cozer durante 5 minutos.
Escorra a água de cozer os carapaus e substitua por água
fria. Com as mãos, retire as peles e as serrilhas de forma a deixar
o carapau completamente limpo; a esta operação dá-se
o nome de “alimar o carapau”, nome que deu origem a este
prato tipicamente algarvio.
Serve-se com batata cozida e tempera-se com alho, azeite e vinagre. No
Verão sabe bem acompanhar os carapaus alimados com tomate, cebola às
rodelas, azeite, vinagre e salpicar com orégãos.
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Doces
de D. Rodrigo
Ovos moles
Fios de ovos
Calda de açúcar |
Estes
doces deliciosos exigem alguma mestria, logo de início,
na preparação dos ovos moles e fios de ovos.
Sobre
um tabuleiro untado com manteiga, disponha os fios de ovos
formando pequenos novelos e recheie-os com uma colher de
ovos moles. Num tachinho com calda de açúcar,
passe os novelos um a um até ficarem dourados. Deixe
arrefecer e polvilhe com canela. Para terminar, coloque-os
sobre quadradinhos de papel vegetal e embrulhe com papel
prateado de várias cores.
Reza
a história que estes doces conventuais, com origem
em Lagos, remontam a 1755, ano em que o terramoto destruiu
a zona baixa da cidade. Nessa época o Governador
da Praça era um fidalgo, de nome Rodrigo, que prestou
auxílio aos sinistrados, em particular às
freiras Carmelitas do Convento de Nossa Senhora do Carmo.
Agradecidas pela ajuda, as freiras dedicaram estes doces
ao governador, chamando-lhes D. Rodrigo. |
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